Segunda fase do modernismo – Jorge Amado
Na década de 1930, nossa prosa de ficção, com renovada força criadora, nos punha em contato com o Brasil pouco conhecido.
Por meio da obra de autores desponta um Brasil multifacetado, mas com problemas comuns em quase todas as regiões: a miséria, a ignorância, a opressão nas relações de trabalho, as forças atávicas da natureza sobre o homem desprotegido.
Na mesma década, a poesia brasileira vivia um de seus melhores momentos. Tratava-se de um período de maturidade e alargamento das conquistas dos modernistas da primeira geração. Maturidade porque já não havia necessidades de escandalizar os meios culturais acadêmicos. Sem radicalismo e excessos, os poetas sentem-se à vontade tanto para escrever um poema com versos livres quanto para fazer um soneto, sem que significasse voltar ao parnasianismo.
A estética do compromisso
O quadro social, econômico e político do Brasil e do Mundo, como a crise da Bolsa de Valores de Nova Iorque, Revolução de 30, Estado Novo, Segunda Guerra Mundial, exigia dos artistas e intelectuais, que tomassem uma posição ideológica, que resulta em uma arte engajada, de clara militância política ou de engajamento espiritual.
Caminhos da ficção de 30
A prosa naquele momento rompeu com uma forma tradicional de contar história e abriu caminho para uma nova forma de ler e narrar o cotidiano fazendo isso de uma técnica calcada na linguagem cinematográfica, na sobreposição de planos narrativos, na síntese, na paródia, na mistura de gêneros, etc.
Os romancistas de 30 não pretendiam se manter na linha do experimentalismo estético das correntes de vanguarda, consideravam irreversíveis muitas das conquistas dos primeiros modernistas como: interesse por temas nacionais, linguagem mais brasileira, interesse pela vida cotidiana. O passadismo cultural tão combatido pela semana para eles estava enterrado.
Entretanto, viram-se diante de questões de outra natureza: como dar uma resposta artística ao movimento de fermentação política e ideológica que estavam vivendo? E de que forma o artista, com sua obra, poderia concretamente participar das transformações que então ocorriam na sociedade?
O resultado desses questionamentos foi um romance mais amadurecido, com um enfoque mais direto dos fatos, marcado pelo realismo. Naturalismo do século XIX, e tendo muitas vezes um caráter documental.
Os escritores desse período voltam-se para os problemas de sua realidade imediata, o que ocasiona o surgimento de uma literatura regional, caracterizada pela denuncia social tornou-se um dos temas da literatura desse momento. Primeiramente abordado por José Américo de Almeida, mais tarde passou a ser explorado por muitos outros, cujas obras trazem temas novos.
O regionalismo também se manifesta no sul do país, na ficção histórica e épica. Alguns romances alcançam perfeito equilíbrio entre a abordagem sociológica e a introspecção sociológica.
Jorge Amado: As mil faces da Bahia
As obras da fase inicial da carreira de Jorge Amado são ideologicamente marcadas por idéias socialistas. Em romances como O País do Carnaval, Cacau e Suor, o autor retrata, num tom direto, lírico e participante, a miséria e a opressão do trabalhador rural e das classes populares. A seca, o cangaço, a exploração do trabalhador rural e urbano, o coronelismo são alguns dos temas abordados.
Tendo a Bahia como espaço social das suas obras, o escritor denuncia o abandono das crianças de rua de Salvador. Na fase final de sua obra, em romances como Gabriela, Cravo e Canela, Dona Flor e seus dois maridos e Tieta do Agreste o escritor compõe um rico painel de costume da sociedade baiana em seus aspectos culturais, comportamentais, lingüísticas, religiosos, etc.
Vista no conjunto abuso de clichês e lugares comuns. Contudo Jorge Amado é o escritor brasileiro que mais conseguiu popularidade entre o grande publico, tendo obras adaptadas inúmeras vezes para a TV e o cinema.
Um de seus romances mais conhecidos foi Tieta do Agreste que retrata um movimento de lirismo da obra, o envolvimento amoroso entre Tieta e seu sobrinho.
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